<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290</id><updated>2011-11-17T12:11:48.964-08:00</updated><title type='text'>Blog da DB</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-673982588708028111</id><published>2011-11-02T12:34:00.000-07:00</published><updated>2011-11-17T12:11:48.972-08:00</updated><title type='text'>Love. lost. love</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Hoje comecei a morrer e não sei por onde. Não me pergunte qual pedaço parou primeiro. Só sei que da glote até meu sexo, nada mais existe. Há um iato. Um vazio. Um canion. Há uma fenda poderosa e profunda que nada fala, nada sente. Apenas sabe que acabou. Que nada mais adianta. Tudo se foi. Estranha e leve a sensação de quem sabe do futuro,&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;de um amanhã que não existe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Sinto vibrar em mim o riso debochado dos que não ligam para o depois, pois sabem que além da lenda nada mais há. Ha, ha, ha, como escrevem os adolescentes em vidas virtuais. Ahusahauahsuahahas… Letras que sem sentido viram gargalhadas nos ouvidos de quem vê. De quem lê. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: EN-US" lang="EN-US"&gt;Ai, quão antiga sou, que preciso dos sentidos, do sentir. Você nada é além daquilo que eu gostaria que fosse. Brisa. Fosso. Depende do ângulo de quem vê, você não está.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Mas vive em mim. Forever. É para sempre enquanto o sempre houver. Até um dia. Até talvez. Até quem sabe.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-673982588708028111?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/673982588708028111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=673982588708028111' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/673982588708028111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/673982588708028111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2011/11/love-lost-love.html' title='Love. lost. love'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-1769220973640882189</id><published>2011-05-24T15:18:00.001-07:00</published><updated>2011-05-24T15:26:58.489-07:00</updated><title type='text'>Aquelas lições de vida...</title><content type='html'>Me encaminharam esse texto por email. Eu já tinha lido uma vez, mas sempre gosto de dar uma olhada na lista. #ficaadica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi. Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez." Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio (segundo a fonte que me mandou o texto)...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A vida não é justa, mas ainda é boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. Você não tem que ganhar todas as vezes Concorde em discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. É bom ficar bravo com Deus, pois Ele pode suportar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 Quanto a chocolate, é inútil resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. Respire fundo. Isso acalma a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27. Sempre escolha a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28. Perdoe tudo de todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33. Acredite em milagres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36. Envelhecer ganha da alternativa morrer jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37. Suas crianças têm apenas uma infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42. O melhor ainda está por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44. Produza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-1769220973640882189?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/1769220973640882189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=1769220973640882189' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1769220973640882189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1769220973640882189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2011/05/aquelas-licoes-de-vida.html' title='Aquelas lições de vida...'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-8961379640482714357</id><published>2010-06-22T05:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T05:58:11.714-07:00</updated><title type='text'>87</title><content type='html'>Era uma máquina de sumimento. Ela era. Foi desligando a própria vida aos poucos. Primeiro foram os compromissos, datas, nomes. Perdeu as contas de quantas vezes desejou esquecer pessoas, gestos, amores mal resolvidos, comidas mal digeridas, gostos, sabores, palavras e xingamentos. Agora, tudo se desfazia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia mais a cor das cores. Nome completo, cep, cpf, nem endereço. Rostos dos quais tinha uma vaga ideia foram aqueles que povoaram sua memória por décadas. Agora, se desintegravam. Era o nariz de um, nos olhos do outro. O cabelo da mais velha, na cabeça da mais nova. Mãos, tato, digitais, nada tinha os mesmos nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueceu de onde veio,  mas queria voltar para a fazenda. Não sabia aonde ir, mas não queria ficar. De tudo, só restou o amor pelos gatos e seus guizos. O tlintlin deles a trazia de volta, quando os pensamentos se perdiam. Ela era um labirinto sem retorno. Confusão. Se era dia, se era noite, tanto fazia. Barulhos não mais reconhecia. Nem vozes. Até que se calou. Não havia mais o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não reconhecia mais seu timbre. Sol, si, dó, das notas nenhum registro. Aquele som não fazia sentido. O samba, que lhe fora tão caro, soava tambores distantes e surdos e recorrecos e tamborins sem harmonia.  O pandeiro que ele tocava estava mudo há anos. O espelho onde ela se via não se reconhecia. A sala, a mobília, os abajures que ele inventava quando moço eram um museu sem novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ria de si mesma quando perdia, pela décima vez no dia, a chave da gaveta. Pra que, meu Deus, uma gaveta? Não havia mais o que guardar. Ela esvaziava. E se nutria do óbvio, do essencial. Galinha, ovo, quem veio primeiro, tanto fazia. Nada mais tinha gosto, porque do paladar não se lembrava mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós? Por onde ficamos nós no seu redemoinho de passados distantes? Nunca lá estivemos. E nós, nomes gravados no cordão que agora leva no pescoço pro caso de se perder, nada mais somos. A ausência, o vazio. E assim a vida se esvai sem ir. Ela não se foi, mas não está mais ali. Nem aqui. Nem acolá. Não cabe mais no mundo, porque desconfia dos mundos que há no mundo. Ingrato, sujo, desvarido, azul, belo, deste, do outro, dos santos, dos bêbados, dos insanos, dos pecadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes quis bater em retirada, ameaçava, mas a porta nunca passou. Agora, o retorno é para sempre, presa nela mesma, sem saber quem é nem o que faz ali. Onde foi mesmo que deixei meus óculos? cansava de perguntar, com os óculos presos no pescoço, as lentes para o chão, suspensas no cordãozinho jaz imundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estamos todos, seguros no resto de afeto que ela lembra de ter tido, de ter dado, vendido, negociado, fazemos qualqur negócio em troca de um pouco de atenção. Não ensinou a dignidade, que tinha de sobra, mas se recusou a passar adiante. Perferiu fincar a insegurança, sob a qual ela se erguia ainda mais poderosa. Ela era a mulher da casa. Ninguem mais o seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vaidade, veja só, não se esquece. Se banha e se perfuma, se penteia e se veste, pronta para a festa diária da vida. Rainha de suas vontades, não sabe mais o que quer, nunca soube, mas se sabe fêmea, fêmea antiga, gasta, usada, rodada, quilometrada, mas de cabelo tingido, unha vermelha e batom carmim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco resta da boca, nada tem a dizer, não lembra da última frase, não pode engatilhar a próxima. Mas sabe, sabe-se lá como, que haverá amanhã. Só não tem certeza do ontem. Olha pra trás e está na boca do abismo. Nada ficou. Os pés sentem a terra deslizar, vai-se toda ser engolida por aquele breu, a escuridão do não saber e do esquecimento. Mas vai sem sofrer.  Não vai se lembrar de nada mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes fosse asssim com os porres, com as mancadas, com as broncas que tomamos e que damos, com os vexames, os vômitos, as choradeiras. E com as surras, as ausências, as infelicidades, as indelicadezas. Com as palavras de fel, com as malas que perdemos, com os ódios, com as vinganças. Com as maldades que desejamos, com as crueldades que cometemos. Mas não. Quando a vida se esvai e se apaga somem também o gosto da framboesa, do morango  e do mirtilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaparecem Bach, Tchaikovsky e Tom Jobim. Não há mais Elizete, Lupicínio nem Martinho da Vila, que ele gostava mais do que ela, mas ela dançava junto, rodopiando nos salões, parando as festas, arrancando aplausos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão-se os beijos ternos, os beliscões safados, os olhares de tesão, as passadas de mão e toda sorte de bolinações que fazem nascer o sexo, as crianças e os amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o adeus. É morrer e esquecer de deitar. E esquecer, esquecer, esquecer, até sumir em si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-8961379640482714357?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/8961379640482714357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=8961379640482714357' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8961379640482714357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8961379640482714357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2010/06/87.html' title='87'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-5552583574575539775</id><published>2009-10-20T10:34:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T10:35:11.776-07:00</updated><title type='text'>Carro de som</title><content type='html'>São Paulo é uma cidade saborosa e gosto de tudo nela, até do trânsito. Verdade. Eu adoro um bom e demorado congestionamento. Parece incrível, mas é ali, encalacrada dentro do carro, que vivo excelentes momentos de solidão. Ficar sozinho é um raro privilégio para quem tem família, criança, trabalho. Aposto que há outras mães, mulheres, atletas, profissionais, donas de casa, como eu, que também gostam de ficar a sós com seus ‘eus’ enquanto esperam a 23 de Maio andar, a Brasil se mover, a Rebouças alargar ou a Radial dar um passinho para a frente. A verdade é que nunca estou apenas eu comigo. Sempre tem alguém em volta. Mas no carro não. Não há um só vulto, uma miragem. A paisagem é deliciosamente sem nada. Fico só com meus pensamentos, minhas vontades, e daí choro quando quero, sorrio raramente e canto. Não sei vocês, mas adoro cantar no carro. E a escolha da trilha sonora se divide com o dial. Alguém um dia me garantiu que quem trabalha com informação precisa sempre ter uma rádio popular sintonizada, que é pra saber o que as pessoas estão ouvindo na ‘vida real’. Fiz isso por um tempo, e conseguia até distinguir quem é o Zezé, quem é o Luciano, o Chitaozinho e o Xororó. Agora não sei mais. Hoje reservo as memórias para as rádios de notícias, as que só tocam música brasileira e a 'nossa' Eldorado (não sei viver sem Alessandra Lopes e o Trilhas e Tons, nem sem o Vozes do Brasil da Patrícia Palumbo e muito menos sem a sala dos professores do Daniel Daiben). O trânsito também me dá mais tempo de ficar com os meus filhos. É que se não estou sozinha, eles estão comigo. Sou, como muitas paulistanas, mãetorista matinal. Leva uma para o balé, o outro para a natação, para o inglês, para a terapia (sim, hoje eles começam cedo a cuidar dos estragos que fazemos neles - e nem adianta chiar, pois a culpa, Freud explica, é sempre da mãe). E é nesse vaivém, nessa convivência cronometrada, que aparece a chance de colaborar com a formação musical das crianças. Às vezes ouvimos CDs, escolhidos (entre tapas e beijos) por um ou por outro. Na maior parte das vezes, o rádio é que fica ligado, apresentando a eles um ecletismo necessário para um ouvido em formação. Foi assim comigo, que de Martinho da Vila a Mozart, ouvia de tudo, e ouço até hoje. Até porcaria eu ouço, pouco importa. Porcarias fazem parte da vida e, se for ruim demais, puft, mudo de estação, desligo o som. Acabou. Delicioso poder exterminar tão facilmente o que ruim. É um exercício curioso ver se formar o gosto musical de um ser humano. E é preciso se resignar diante do inesperado. Por mais que você tente, compre a coleção completa do Palavra Cantada (Paulo Tatit e Sandra Peres são uns gênios), resgate os Saltimbancos de Chico Buarque e os discos infantis do grupo Rumo, ataque de Hélio Ziskind, nada vai adiantar. Um dia, sua garotinha vai recitar todos os 'versos' da Glamurosa, do MC Marcinho. Seu moleque vai gritar no banco de trás um Skank básico, "vou deixar... a vida me levar... para onde ela quiser". Eles vão cantar Ana Julia dos Los Hermanos, por mais que você tente impedir. E vão, aff, pedir para você colocar de novo aquela do 'bundalelê", que obviamente você não tem, mas algum amiguinho gravou num CD e deu de lembrancinha no aniversário. Mas nem todo seu esforço será em vão. À noite, quando sua menina te chamar para ouvir Bach com ela antes de dormir, você verá que a grana investida naquela coleção de clássicos valeu. Foi presente do avô, e você passará a admirar ainda mais o seu pai, que teve essa idéia brilhante. Tudo bem que no dia seguinte ela acorde imitando o gritinho estridente de Hannah Montana, ou se desfaça em agudos para cantar com a galera do High School Musical. Você também já deve ter tido seus dias de Grease... e sobreviveu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-5552583574575539775?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/5552583574575539775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=5552583574575539775' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/5552583574575539775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/5552583574575539775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/10/carro-de-som.html' title='Carro de som'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-2613587764264347128</id><published>2009-09-22T13:34:00.000-07:00</published><updated>2009-09-22T13:38:53.167-07:00</updated><title type='text'>Vico e Elvis</title><content type='html'>Estavamos ouvindo um CD de rock das antigas, e ele perguntou se tinha Elvis. Eu falei que só havia uma música, então fui até a Saraiva e comprei uma dessas coletâneas. Coloquei no carro, na volta da escola. Ele ouviu uma, duas, três músicas. E concluiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mãe, o ritmo das músicas do Elvis parece sertanejo em inglês, né?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-2613587764264347128?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/2613587764264347128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=2613587764264347128' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2613587764264347128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2613587764264347128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/09/vico-e-elvis.html' title='Vico e Elvis'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-6702720642117266877</id><published>2009-07-14T14:48:00.000-07:00</published><updated>2009-07-14T14:50:41.362-07:00</updated><title type='text'>O calçadão (*)</title><content type='html'>Aquela tosse não era de hoje, nem sei mais quando começou. Nada em mim é recente. Os pigarros. A dor no peito, que não era angústia, mas parecia. Aguda, dilacerante. Vinha cortando as costelas, batia no esôfago para explodir em sons aterradores. Minha neta saía correndo cada vez que eu tinha um ataque daqueles, fugia de mim. Muitos foram os que fugiram de mim. Tive tudo. Empresa, família, dinheiro e ódio. Pude ser sarcástico, pude ser cruel. Humilhar sem remorsos. Rir o riso dos que mandam diante dos que obedecem. Não que eu seja má pessoa. O poder é que dá na boca esse gosto de fel. O diagnóstico de câncer no pulmão era uma revanche da vida contra mim. De todos os que eu botei para correr. E eu agora era obrigado a ver a beleza do mundo com olhos de quem se despede sem ter tido chance de se apresentar. Deve ser um conforto viver assim. Nu. Sem medo. Sem blindagem. Sem amarras. Como aquele cara, lembro bem dele. Exibido em frente ao mar, se erguia nos ferros, suando em bicas e se achando o máximo. Devia ter uns quatro palmos de costas, o sujeito. Bíceps de titã, um abdome espartano e que dentes. A boca inteira pulsava um sorriso típico dos ignorantes, exalava bafo de canela e uma burrice que eu podia ver, pegar no vento. Tive vontade de lhe chutar o rabo. Imundo ele. Mas não. Nada no ordenamento jurídico, na constituição, em porra de lei nenhuma o proíbe de fazer isso. Eu? Por nenhum dinheiro vivo do mundo conseguiria me expor assim, barriga pra fora, pêlos à mostra, pra quem quiser ver. Nem lá, na praia. Nunca fiz isso. O status exige compostura. Sempre tive um nome na praça, uma reputação a zelar. Pergunte aos que conseguem. Aposto a resposta. Sei o que sentem. É paz. Passo reto. É hora da minha água de coco. O médico mandou. Eu preciso fazer bem à minha saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) O primeiro texto que fiz na oficina, em 2008. Sorteei algumas palavras e escrevi seguindo a ordem na qual elas caíram sobre o papel. As palavras nos escolhem, é o que dizem. Não duvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-6702720642117266877?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/6702720642117266877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=6702720642117266877' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/6702720642117266877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/6702720642117266877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/07/o-calcadao.html' title='O calçadão (*)'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-2248361588218566052</id><published>2009-07-05T13:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T13:52:23.270-07:00</updated><title type='text'>O conto do amor</title><content type='html'>O tal tema da oficina "Um lugar desconhecido" revisto e ampliado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De rapel, ele desce, lentamente, preso aos fios de afeto que ainda pendem dentro do peito. Põe os pés na segunda costela, de cima pra baixo, e se apoia, instável, grudando e desgrudando braços e costas da carne vermelha viva que o circunda. Ir até onde nenhum outro jamais foi.  Cair no coração selvagem e descobrir bem de pertinho o que sobrou de si depois de tanta vida mal escrita, por linhas tortas que nunca deram certo. Sempre soube que aquele vão oco da aorta existia, mas jamais pudera ali pisar. Agora estava ali, um expectador do estrago que suas escolhas erradas causaram. Por que fora naquela noite àquele encontro sombrio, com uma mulher desencarnada e vestida de lascívia. A paixão, a paixão, a paixão.&lt;br /&gt;Pouco sabia do vale dos que morrem de amor platônico, e agora podia ver a cadeira de veludo verde, com seu nome cravado em dourado, um lugar de honra no limbo dos infelizes. Um dia quis comprar alegria, mas não sabia sorrir, e desistiu.A imagem dos azulejos azuis ainda luzia em sua memória. Ela o convidara para entrar, sentar, tomar um cafezinho, como se ele já não soubesse que dali não sairia vivo. Morreu cinco minutos depois de perguntar porque ela o escolhera, entre tantos. Ele era interessante, foi o que lembrava ter ouvido, antes de se aproximar de seu pescoço, o dela, regado a Poison, e se embriagar de tudo o que ela tinha para oferecer. Entrou, sentou, se refastelou nela inteira, ela foi dele para sempre enquanto duraram aquelas duas horas. Estava entorpecido daquela mulher e agora sabia o gosto que tinha um corpo em êxtase. Piscava os olhos fitando o teto, incrédulo, trêmulo. Sabia que ela gargalhava, mais por ver os lábios escancarados, do que por ouvir o som. Seus sentidos não funcionavam. Sentia o peso do edredon verde cheirando a guardado, um cobertor que passou a vida esperando por aquele odor de sexo e medo, e agora se enroscava nele, nela, satisfeito. As imagens turvas daqueles primeiros instantes viravam vultos, agora que sentia os pés escorregando na gosma de gordura e músculos. Olhava para dentro de si e tinha náuseas. Se vomitasse ali, seria engolido pelo ácido de suas pequenas e gigantescas maldades. As crueldades todas que cometera, com todas as mulheres antes dela, pelas quais merecia ser escalpelado, sabia disso, agora se revelavam nas vísceras. O que faria se fosse engolido pelo ódio que sempre nutriu? Conseguiu enxergar um ventrículo abrindo, fechando, abrindo, fechando, ritimado, perdido entre helenas, marias, lourdes, argh, lourdes, laura, mulheres com ele, com L, a letra, não com ele, ele, o cara, embebido em plasma, hemácias, leucócitos, plaquetas. Se afogava em água, oxigênio, glicose, proteínas, hormônios, vitaminas, gás carbônico, sais minerais, aminoácidos, lipídios e uréia. Ele coagulava. Ficaria preso ao átrio direito. Ou seria o esquerdo. O miocárdio não pulsava. Era uma hemorragia. Na metade direita do coração, onde só circula sangue venoso, ele colocou o pé esquerdo. Na esquerda, bloqueou o sangue arterial com o direito. Ficou assim, dependurado, um abismo no septo. O endocárdio necrosado. O pericárdio transparente, sedoso, ia rasgando vagarosamente. A membrana que reveste todo o coração se esgarçava aos poucos, como ele foi rompendo a vida. Não conseguia conter a fenda, se agarraria ali, mas não duraria uma piscadela da primeira vagabunda que aparecesse. Ele não resistiria a outro desprezo. Precisava urgentemente voltar à vida cafajeste que tinha levado até ali. Não encontrava nos vãos de seu ser vestígio algum do que fora um dia, e desaprendeu a viver. Queria poder voltar e contar onde estivera, que dentro do coração é só sangue e gelo, mas não teria ninguém para ouvir. Menos ainda conseguiria subir ao cume da cabeça e encontrar os buracos da vida, ser cuspido pela boca, assoado em alguma gripe, balançado depois de entupir algum ouvido, ou escapar ileso em alguma lágrima de amor derrubada. Não. Ele agora ficaria preso em si. Amuado e sem sonhos, subindo e descendo a cada soluço que insistia em dar. Chorar não sabia, mas a tristeza vinha em trancos. Suores.De onde o desejo nasce, vêm também os medos mais medonhos. Os poemas poemados. A língua. Quem sabe conseguisse ainda lamber algum beiço carnudo, como que sempre gostara, como os dela. Ela. Ela. Ela. Ela seria eterna nele. Conseguia enxergar seus rastros, um pedaço do salto alto da sandália vermelha, coisa de puta, só pode ser, fincado na ponta do estômago. Ela moraria para sempre nos seus infernos. Os restos do vestido preto de fazenda boa, coisa de grife, coisa de puta rica, só pode ser, esparramados em cima dos rins. Não. Puta ela não era que ele não era de comer puta. De onde ela saiu foi onde ele chegou. Agora podia ver, como ninguém mais, o que causara nele.Um homem devastado. Seus pulmões despedaçados. Hollywood. Trinta por dia. Ela sempre gostou de fumar, e ficava bem com cigarro entre os dedos, colocando delicadamente na ponta da boca, fazendo cara de vontade. Sempre entendeu tão bem os recados que ela mandava sem falar. Inventou uma mulher do jeito que queria que ela fosse, e assim ela era. Dentro dele ela era assim. Dobrava o indicador e ele ia. Sem avaliar riscos, sem pensar em ninguém. Nunca antes soubera que a saudade era física. Cada vez que via o rosto dela no fundo da retina, sentia um pedaço da mitral caindo. Desabava. Quanto tempo ainda teria para voltar a respirar. Seria tragado para o ralo da alma e nunca mais a veria. Nunca mais. Nunca mais é mais que a morte, sempre soube. Agora, diante daquele nunca mais um beijo, nunca mais o cheiro dela, o cangote, a coxa lisa, a panturrilha arrebitada, nunca mais ele voltaria a si. Estava entregue. A vida iria passar e ele morreria dentro dela, da vida dele, para nunca mais sair . A náusea, um antiácido resolveria, um tarja preta, nunca nada foi eficaz. A felicidade mora aqui, mas ele nao enxergava a cara dela. Via nervos e músculos em nós. Trigger points emocionais. Ele era um emaranhado de vontades não realizadas. Luz não há. Dentro da gente é um centro da terra escuro e úmido. Vulcão seria se tivesse forças, mas não era mais do que um pedaço disforme de memórias e lembranças. Também não conseguiria jogar fora o que ali ficou gravado. Os grudes dela caíram na circulação, afetando todo o funcionamento do organismo. Debilitado, ainda pensou em pular nas sobras de gordura abdominal e num salto único, sair de si. Cairia estatelado no meio da sala dela, onde entrou sem ter as chaves. “Oi amor, o que você está fazendo aqui todo ensanguentado”, ela perguntaria, sem jamais entender onde estivera. Ela nunca o chamou de amor. Ela nunca mais o chamará de amor. Ela já era nunca mais. Ele, o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-2248361588218566052?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/2248361588218566052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=2248361588218566052' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2248361588218566052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2248361588218566052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/07/o-conto-do-amor.html' title='O conto do amor'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-7101584471646499551</id><published>2009-05-19T13:51:00.000-07:00</published><updated>2009-05-19T13:52:46.648-07:00</updated><title type='text'>Toddynho</title><content type='html'>"Eu vou soltar o choro em casa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vico, para o pediatra que recomendou que ele não tomasse mais leite com chocolate.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-7101584471646499551?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/7101584471646499551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=7101584471646499551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/7101584471646499551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/7101584471646499551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/05/toddynho.html' title='Toddynho'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-1517377028301893239</id><published>2009-05-02T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T17:01:16.527-07:00</updated><title type='text'>A lógica infantil</title><content type='html'>Vico estava, naquele tempo, estudando o Egito. Devia ter uns cinco anos de idade.&lt;br /&gt;O pai, ao volante, perguntou:&lt;br /&gt;"Vi, quem nasce no Egito é o que?"&lt;br /&gt;A resposta veio na forma de outra pergunta:&lt;br /&gt;"Um bebê?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-1517377028301893239?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/1517377028301893239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=1517377028301893239' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1517377028301893239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1517377028301893239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/05/logica-infantil.html' title='A lógica infantil'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-3898487721087858556</id><published>2009-04-23T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T16:59:14.868-07:00</updated><title type='text'>Morelembaum</title><content type='html'>Ele enfia a mão embaixo do vestido, sobe sorrateiro a coxa e, na curva da virilha, pega a pontinha do elástico, levanta um pouco e solta. Plec. "Você sabia que cada calcinha tem um som?" Não. Não sabia. Mas ela gostou de pensar no assunto. Se fosse uma garota magra, como modelos, só pele e osso, a calcinha se estatelaria na bacia. Tak. Tek. Seria um estilhaço. Se fosse uma dona gorda, a calcinha faria plumft, ploft, como um colchão de água, com as banhas acompanhando o movimento como ondas. Mas se ela é assim, nem gorda nem magra, nem feia nem bonita, uma calcinha básica, bege, quase sem sexo, faz Plec. Só Plec. Uma mulher de uma nota só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esse eu recuperei do SouMelhorporEscrito...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-3898487721087858556?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/3898487721087858556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=3898487721087858556' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/3898487721087858556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/3898487721087858556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/04/morelembaum.html' title='Morelembaum'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-352144939568312666</id><published>2009-02-19T15:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T15:27:35.450-08:00</updated><title type='text'>Por que com razão ou sem a chuva chora sua alegria?</title><content type='html'>Outro tema lá do Bolo Inglês. As reflexões é que são do Vico, que garantiu que do lado de lá do mundo não chove... Faz sentido... O texto é da época das Olimpíadas em Pequim, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na China não chove. É do outro lado do mundo, as nuvens ficam depois do chão e as gotas caem para lá do depois, sem molhar as casas, os prédios e as pessoas. Virado do avesso, o cérebro da criança enxerga o que ninguém vê, admira o que poucos entendem e nenhum pingo de temporal chora o suficiente para demonstrar a alegria de conviver com um ser humano em formação. Ele não sabe que até chove em Pequim, mas pouca gente percebe. As densas nuvens sob a qual estão envoltos é de permanente poluição. A despeito da atitude antiesportiva dos americanos,que não precisavam ter feito aquela afronta e desembarcar nos jogos olímpicos usando máscaras de oxigênio, o ar de Pequim é impossível de ser respirado. Para ele, isso é irrelevante. Se alimenta de outras brisas, pouco liga para esportes, detesta futebol, faz natação porque a mãe manda, agora parece que está tomando gosto pela coisa. Por ele, cavaria um buraco no chão da sala que pudesse chegar até a China, uma genuína filial da fábrica do Papai Noel. É lá que fazem todos os brinquedos, acredita. Made in China. O carrinho, o Power Ranger, o Bem 10, o binóculo, até o guarda-chuva e o estojo. Quero ir para lá. Eles vieram para cá. Cem anos de imigração chinesa, pai! Não, é japonesa. Ué, não é tudo igual? Só os olhos são puxados. Bem, as roupas são de seda. E as diversões são eletrônicas. No Japão, pense bem, também não chove. Em qualquer lugar que fica para lá do depois, no além dos além, como diria Estamira, o céu não chora. Ele coça a cabeça, firma o polegar no queixo, pensador, e dispara. Em terra de gente que sorri com os olhos, a chuva só chora de alegria. Tristes de nós, poluídos de carência, chuva ácida sob os pés, que, sem dó, castiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-352144939568312666?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/352144939568312666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=352144939568312666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/352144939568312666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/352144939568312666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/02/por-que-com-razao-ou-sem-chuva-chora.html' title='Por que com razão ou sem a chuva chora sua alegria?'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-2706497414106764076</id><published>2009-02-19T15:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T15:11:59.311-08:00</updated><title type='text'>O pé sem corpo</title><content type='html'>Algumas idéias de histórias sugeridas pelo Vico acabaram virando temas para nosso textos lá no Bolo Inglês, o grupo da oficina literária. O pé sem corpo foi um deles. Deu nisso aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é duas e vive dividida. Uma atua. Outra é ela. Há dias em que não consegue entrar em cena. E quebra. A outra invade a uma e instaura o caos. Não hoje.&lt;br /&gt;Como um ovo espatifado, uma gosma de clara e gema, disforme, sem a proteção da casca, nem o calor do ninho, ela acorda, sem a outra. O peito arrebenta oco, sem emoção. Olha em frente e reconhece aquele sorriso que já foi dela, as curvas bem torneadas, as pernas fortes, os seios fartos. A outra saiu de si. Encarnou e está ali, pronta para conquistar a vida que ela nunca teve coragem de viver. Vai se jogar de cabeça, sem amarras, nos corações sem dono. Irá beijar todas as bocas que tiver vontade, ler todos os livros sem ninguém para interromper, conhecer todas as cidades, vai desafiar os verbos no infinitivo, correr, nadar, navegar, naufragar, delirar, apanhar, bater. Usará o resto do tempo que tem sem deixar nenhum segundo fazendo nada. Só quando fazer nada fizer bem. Vai vestir camisas deles, comer pipoca na sala, com champanhe de primeira e homens de segunda, andar de salto alto e minissaia, bem vagabunda, pintar bocas de vermelho, unhas de vermelho, dentes de vermelho, morder línguas. Pedirá demissão, mandará patrão pastar, encontrará o que fazer, um jeito de se bancar, dormirá até mais tarde, sem responsabilidade, e terá até quem lhe traga café na cama, a danada. Animada, ela bota os olhos de pestanas longas para baixo e, surpresa. O corpo todo se fez, menos os pés. Os pés de moça, bem cuidados, estão ao lado, não grudaram nela.&lt;br /&gt;Inteira em sua ferocidade, aquela outra que era ela não pode se mexer. Flutua, estupefata. É um fantasma atrás da cortina, presa pela grade da varanda, sem ter para onde ir. Os pés burilam no chão, como mães bronqueadas, e se negam a ela. Se recusam a ser dela. São pés sem corpo, não darão a ela esse gostinho, de sair pelo mundo e ser feliz. Aquelazinha não vai dançar, rodopiar, gargalhar, se embriagar, se empanturrar, se apaixonar, dar para um qualquer, qualquer um, amar e ser amada, ou nada. Ficará ali, cheia de vida e sem caminho.  &lt;br /&gt;Ela suspira aliviada, como se tivesse se livrado do pior de si. Levanta da cama e encara a outra, que nem chorar consegue, tão assustada e aflita que está, tão cheia de volúpia e ódio, ódio daqueles pés teimosos que não se encaixam nela. Ela sorri leve, deixou de ser de mentira, fajuta, falsa, para inglês ver. Poderia continuar no palco sendo tudo o que esperam dela, sem sofrer. Ela seria verdade. A outra, que era ela, morreu nela, saiu dela, e, quanta ironia, ficou presa num corpo se pés. Não vai poder nada do que queria, bem feito, filha da puta. Ela, que sempre soube quão perigoso é amar de verdade e queria tanto viver assim, sem paixões, só não conseguia por causa dela, daquela louca. Ela a deixava trancada no porão, mas não adiantava, não resolvia. Uma hora, a outra arrebentava o cadeado, e dava no que tantas vezes deu. Agora acabou. Tinha corpo, não tinha pés. Ela estava inteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-2706497414106764076?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/2706497414106764076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=2706497414106764076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2706497414106764076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2706497414106764076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/02/o-pe-sem-corpo.html' title='O pé sem corpo'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-1970716705752890447</id><published>2009-02-18T12:25:00.000-08:00</published><updated>2009-02-19T13:05:55.832-08:00</updated><title type='text'>QUARENTA ANOS</title><content type='html'>Escrevi quando fiz quarenta... Achei nos meus arquivos e trouxe pra cá, dois anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci lendo Paulo Francis e vendo seus comentários à noite na TV, com seus hiatos e ditongos estendidos, parara encerrar as frases em queda brusca, numa entonação que só ele tinha. Também me lembro de Ibrahim Sued, num cenário de Globo Repórter com Nacional Geografic, ademã que eu vou em frente. Também vi Clodovil e seus desenhos alongados, na TV Mulher com trilha de Rita Lee, mulher é bicho esquisito, todo mês sangra, ancorada por Marília Gabi Gabriela e Ney Gonçalves Dias. Tá, tá, tá... também vi Paula Saldanha e seus cabelos escorridos na TV Globinho e, yes, cantei Mio e Mao, Barbapapa e marmelada de marmelo, no tempo em que a Cuca Dorinha Duval se retirou de cena por matar o marido. Mas quem ama não mata, separa. E vi Malu Mulher começar de novo e contar consigo, e com a Narjara Tureta, que acabou vendedora de suco no Rio. Mas ninguém fez mais a cabeça da minha geração do que a dupla Cristina Franco e Beth Lima no Ponto de Vista, chamado com ginga por Leda Nagle, todo sábado na hora do almoço. Aquilo era moderno. Taão moderno como Francis nos estúdios de Nova York, Central Park ao fundo. O mesmo Francis que escreveu, em 1991, para o suplemento Cola do Estadão, uma lista com os livros que ele considerava mínimos para alguém ter cultura. Chequei a lista e tiquei uns dois ou três. Não li os clássicos, só aqueles por obrigação. Gostava mesmo era de ver televisão. O cinto de inutilidades, todo dia é dia, toda hora e hora... Amigo e companheiro. De ver os desenhos e de chorar com os gingles. Quero ver você não chorar, não olhar para trás, nem se arrepender do que faz. Quero ver o amor nascer e se a dor crescer você resistir e sorrir. Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar, dizia o rei Roberto Carlos em toda véspera de Natal. Aquele especial de 24 de dezembro era tão sagrado quanto a São Silvestre à meia-noite do réveillon, com a Paulista toda iluminada. Francis não correu maratonas. Mas deu um baile na linguagem, no jeito de ver e de falar das coisas. Cresci lendo Francis. Fora ele, eu era mais o boa noite do Cidão Moreira e os documentos que atestava Censura Livre e tradução Herbert Richards, São Paulo. O que será que Francis acrescentaria em sua lista original de lá pra cá? Paulo Coelho? Eguinha Pocotó? A bananada de banana continua no ar, mas não se fazem mais Cucas viscerais e doidas como antigamente. Quem ama não mata, e hoje vemos Doca Street, falando em dor para o Geneton Moraes Neto, que acha que faz as perguntas mais inteligentes do mundo. Vá ler Francis, meu amigo. Vá ler Mencken. Veja Mainardi. Quem quer polêmica bate duro e não assopra. Da lista de Francis tirei Thomas Mann e convalesci lendo A Montanha Mágica. Très jolie. Empaquei nas páginas em francês, mas agora prometo retomar. Je sui desolé, mas estou aprendendo, enfim, a falar francês. Não serve para nada, mas me prometi que leria Mann até o final, e não morro sem fazer isso. Vou dispensar o Herbert Richards desta vez. Não quero versão brasileira. Não vejo mais televisão, só o estritamente necessário. Necessário é seguir o conselho do Francis. Mas, meu caro, será mesmo que eu preciso mesmo ler a Teoria da Física Quântica? Dá pra pular esse pedaço? Pena que vida não vem com tecla foward. Se naquele tempo pudesse dar um FF, teria desligado a TV e ido estudar mais, e mais cedo. Mas nunca é tarde, certo (né João)? Sorry, periferia. Ademã que eu vou em frente. “Eu te amo meu Brasil, eu te amo; ninguém segura a juventude do Brasil.” Aff! Será que não tinha trilha sonora melhor para embalar o ufanismo da ditadura? Poderiam ter usado ‘o barquinho vai, a tardinha cai’. É mais nosso jeito, a nossa cara. Uma coisa carioca, um gringo em Nova York, um apê de aluguel na Vieira Souto, e Chico em Budapeste, pro dia nascer feliz. Beijo pro maluco do Cazuza e para a doida da Eller. Viva o povo brasileiro, eu adoro os viscerais. Bye, bye queridos, que o tempo não pára. Se ninguém acha que eu sou careta, eu sou manchete popular. Estou cansada dessa falta do que falar. Pai, afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue. Tragar a dor engolir a labuta, de que me vale ser filho da santa, melhor seria ser filho da outra. Ops, classificação 14 anos. Sai da Sala que a Dona Redonda vai explodir, o Juca de Oliveira tem asas, Sonia Braga é o estopim da bomba e nós continuamos vivendo, todos, na mesma Saramandaia. Chame o síndico! Chame o Odorico Paraguassu! Inaugure o cemitério que quero morrer virgem. Me embriagar antes que alguém me esqueça. Um beijo na Cecília, na Marília, nas crianças. O Francis aproveita pra também mandar lembranças. A todo pessoal, adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-1970716705752890447?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/1970716705752890447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=1970716705752890447' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1970716705752890447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/1970716705752890447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2009/02/quarenta-anos.html' title='QUARENTA ANOS'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-438748465249900569</id><published>2008-11-18T12:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T12:11:47.103-08:00</updated><title type='text'>Tema: A alface, a bicicleta e o violino</title><content type='html'>Ela desceu apressada do carro, olhando em volta com medo de soslaios à espreita. Ninguém. Não viu viva alma. Pagou o táxi nem sabe com quantos dinheiros, fique com o troco, o moço entendeu nada. A maleta do instrumento debaixo do braço, esgarçando ainda mais o decote do vestido. Verde. Ela gostava de verde. Verde alface. Ele nem tanto, mas raro reparava na roupa que ela usava. Não iria prestar atenção hoje. Tanto zelo para acabar numa mesa de boteco pé sujo no baixo Gávea. Minerva esteve ótima no concerto desta noite, mas queria se livrar daquela pele de cordeiro e desabar dentro do abraço dele, para sempre. Nada impediria Zeca de beber mais um chope, nem o olhar de ressaca dela. Dor de cabeça era o que ele teria se continuasse ali, debruçado no logotipo da Brahma, avacalhado como sempre. Uma mulher tão erudita não podia estar apaixonada por um fulaninho tão fubeca. Mas estava. Zeca enganava bem. Morava bem, herdara uma boa grana dos patrões, para quem dirigiu desde os 16 anos. Os filhos, ingratos como são todos os criados com excessos, sem limites, ficaram fulos da vida ao lerem o testamento de Dona Hermínia e do Doutor Elias. Como assim, o motorista entre os beneficiários? Tentaram anular o documento, sapatearam, espernearam, mas à luz da lei, Zeca, o chofer, como o casal sempre o chamou, tinha ficado com o apartamento da Rua dos Otis, com o carro, e mais uns bons tostões no banco. Foi merecido, acreditava Minerva. Tantos anos se dedicando àquela família, eles tinham agido bem. Zeca ainda tinha medo de morrer numa emboscada armada pelos filhos do Doutor Elias, mas, em noites como aquela, dava de ombros até para a morte, e só pensava em refrescar a goela, um, dois, cinco, dez chopes esôfago abaixo. Depois que ganhou aquele dinheirão, ele nunca mais botou os pés num acelerador a serviço. Só a passeio. Para o dia-a-dia, preferia bicicleta. Minerva apreciava isso nele. Também ela gostava de andar por aí pedalando, e sonhava com o dia em que ele a convidaria para um passeio na Lagoa. Nunca que ele a chamou. Até aquela hora. Bêbado feito um jumento, Zeca cambaleou, sussurrou algo no ouvido de Gilson, o garçom, deve ter pendurado a despesa, apesar daquele dinheirinho de pinga não fazer a menor falta, botou a mão pesada no cangote de Minerva e quase a ergueu. Vamos mulher, vamos andar de bicicleta. Minerva tremeu. O violino? Onde ela levaria o violino? Gilson, vem cá, guarda para mim, por favor, amanhã eu pego, qualquer hora passo aí. Minerva abandonou no bar o Stradivarius, era um parecido com aquele que foi vendido em Nova York por US$ 5 milhões, preço jamais alcançado por um instrumento musical em leilão. O dela talvez não fosse tão valioso, vai saber. Talvez nem fosse Stradivarius. Nada valia mais do que aquele passeio de bike pelo Jardim Botânico com o Zeca, o seu Zeca. Ele, ela, a bike, a brisa, a noite, o Cristo. Ah... alegria que não cabe em dinheiro nenhum do mundo. Lá foi Minerva, vestido verde de seda, sem violino, sem sandália, sorria. Zeca subiu apressado a rua, chegou na garagem do prédio, tirou sua bicicleta da parede onde estava pendurada, e vagou uns minutos por ali para encontrar outra que servisse para Minerva. A da vizinha do 52 estava em bom estado, arrancou a bichinha do gancho, e a entregou para uma Minerva cada vez mais atônita e incrédula. Então era verdade. Eles iriam passear de bicicleta pela noite quente do Rio, quem sabe chegariam até o Leblon, e cruzariam a Delfim Moreira, e iriam dar na praia. Enquanto vagava, Zeca montou no camelo e saiu em disparada. Minerva correu para alcançá-lo. Ele descia a rua com fé, brisa na cara, sem medo, peito aberto. Ela veio logo atrás, atrapalhada que estava com a barra da roupa de gala. Contornaram a praça, um, dois, três quarteirões adiante, Zeca parou. Não queria nada. Só esperar por ela, que continuava mais lenta do que ele. Agora andavam lado a lado, um olho no asfalto outro na pele, ele ainda cheirava álcool, ela reluzia música clássica. Quando viu a praia, Minerva calou. Viver um sonho apavora. Ela tinha certeza de que quando algo vai bem demais, vem desgraça. Zeca ria desse jeito de ela pensar, e dizia, calma Maria, vambora. Minerva nem ligava de ser chamada assim, ele fazia só para dar graça à conversa, como a gente chama de Zé qualquer Mane, ele chamava Maria, qualquer virgem santa. Desmontou da bicicleta, descalçou as Havaianas, e afundou a areia com sua pegada 42, quase 43. Medo. Minerva temia ser feliz. Avistou um aceno com as mãos e foi. Deus estava de bom humor e não propôs nenhuma desgraça. Nenhuma bala perdida passou. Nenhum pivete ou canivete. Traficantes, putas, ladrões, malandros de toda espécie tiraram folga naquela madrugada. O mar do Leblon amanheceu sereno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-438748465249900569?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/438748465249900569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=438748465249900569' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/438748465249900569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/438748465249900569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2008/11/tema-alface-bicicleta-e-o-violino.html' title='Tema: A alface, a bicicleta e o violino'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-8413471032320574194</id><published>2008-11-18T12:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T12:12:05.614-08:00</updated><title type='text'>Tema: Um presente para você</title><content type='html'>Ele dá a primeira mordida e a boca amortece, as bochechas ardem. Os olhos sorriem e, aos poucos, ele se desintegra. Ela sabe o motivo e gargalha sem mostrar os dentes, só por dentro, numa alegria que faz cócegas na garganta. Passara a tarde no supermercado. Casa de moço solteiro, ele não tinha nenhum apetrecho dos que seriam necessários para fazer o bolo. Saiu logo depois do almoço, e dividiu os corredores com senhoras arrumadas, que davam ordens às criadas, com empregadas sozinhas e eficientes, dessas que fazem a lista de compras e resolvem a parada sem a patroa por perto, e com garotas jovens, desempregadas e bem casadas, noivinhas felizes que começavam a se dedicar à vida a dois com empenho de executivas do mercado financeiro. Misturou-se àquelas mulheres como se fosse uma delas. Até poderia ser, mas se sabia diferente, e se divertia sozinha imaginando o que aquelas donas diriam se soubessem que seus ingredientes não eram os comuns, só pareciam iguais a todos os outros. Comprou uma tigela de louça branca, um pão duro, colher de pau, uma espumadeira para bater claras em neve, assadeira, farinha de trigo, açúcar de confeiteiro, chocolate granulado para a cobertura e chantilly. Passou sem pressa no caixa, pagou com cartão de crédito, jogou a conta no futuro. Voltou ao apartamento dele, de onde acabara de conquistar as chaves, depois de ganhar o coração do dono, e sabia que teria uma trabalheira danada pela frente até ele voltar da agência. Ovos, farinha, chocolate a postos. Misture tudo, bata bem, junte o açúcar, o fermento, conferia a receita de tempos em tempos, manteiga para untar, maconha para temperar. O brownie. Era a primeira vez que tentaria fazer em casa o space cake que experimentara em Amesterdã. Ele merecia. O cara tinha sido um bom amigo até ali, e virara namorado há pouco tempo. Todos os outros sempre a acompanharam nas bebedeiras, mas no gosto pelo fumo ele era o primeiro com quem podia dividir os baseados. Isso fazia toda a diferença. Estava decidido. Ele seria o pai dos filhos dela. Agora sim encontrara um homem com quem dividir a vida, o pisco sauer e a erva. Da sala rodeada de janelas avistava o Pacífico, e sabia que ali era só uma parada na vida que escolhera para si. A profissão a levaria cada vez mais longe, e Lima ficaria no passado. Ele a acompanharia, tinha certeza disso. A chave virou duas vezes e o assobio era a senha para a chegada dele. Aniversário de 30 anos pede brinde. Ela o recebeu com a taça escancarada, enlaçou seu pescoço e beijou a ponta do nariz. O cheiro de chocolate tinha tomado conta da casa toda. Caminhou na frente dele, que acompanhava zonzo o lá e cá dos quadris largos. Ancas à brasileira. Sem salto, ela ainda era um palmo maior do que ele, que gostava de se aninhar no externo dela, entre os seios. Foi até a cozinha, mostrou o bolo enfeitado com uma vela de coração. A festa eram eles. Para eles, só deles. A faca desceu macia pela massa, bateu no fundo do prato, voltou pelo mesmo caminho, um polegar mais para frente baixou de novo, e ele tirou o primeiro pedaço para ela. Que esperou. O dele foi ainda mais generoso. Cruzaram os braços como noivos que brindam à vida nova, ele mordeu o bolo dela, ela mordeu o bolo dele. Um presente para você, falou. Ele então sentiu a boca amortecer. As bochechas arderem. Os olhos sorrirem. Feliz aniversário, meu amor, feliz aniversário. Do outro lado do oceano, até hoje se ouvem as gargalhadas deles. Agora, já mudaram o cardápio. Preferem os cookies.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-8413471032320574194?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/8413471032320574194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=8413471032320574194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8413471032320574194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8413471032320574194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2008/11/um-presente-para-voc.html' title='Tema: Um presente para você'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-2109260547337227705</id><published>2008-11-18T12:06:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T15:44:31.561-08:00</updated><title type='text'>O sósia</title><content type='html'>Outra lição do Bolo Inglês: escrever como se fosse um homem, na primeira pessoa. Eu, macho? Perigo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou de fazer isso, revirar as coisas dela, nem abri a gaveta com essa intenção. Aquela caixa de veludo vinho piscou pra mim, eu vi. Não resisti. Tinha uma placa dourada em cima, acho que estava escrito algo como ‘meu amor’, ou ‘minhas lembranças’, agora tanto faz. Sentei calmamente na ponta da cama, até aí, eu juro, estava calmo. Coloquei a caixa no colo, fiquei com medo de cair alguma coisa, segurei firme com uma mão, com a outra fuçava a vida daquela vadia, me desculpe, da mulher da minha vida. Pingentinho de Santo Expedido, o das causas urgentes, santinho de Nossa Senhora Desatora dos Nós, até aí eu sabia que ela era religiosa, mas sempre achei que fosse devota de Nosso Senhor Jesus Cristo e só. Tinha umas figas e umas pimentas vermelhas velhas, secas já. Nunca soube que ela tinha superstição. Fui descobrindo uma mulher que eu não conhecia. Fitinhas do Bonfim, recortes de jornal com trechos de horóscopo, uma coisa de doido, tudo marcado com aquelas canetas verde limão, igual à camisa do Palmeiras, o senhor conhece. Não, sou Botafogo só no Rio de Janeiro. Em São Paulo, sou Palmeiras. Então, como eu estava dizendo, fui assim tirando os pedaços das coisas em que ela tinha fé e empilhando no travesseiro, deixei tudo em ordem, para nem parecer que tinha mexido naquilo. A diaba da caixinha tinha um fundo falso, é possível uma coisa dessas. Foi tentação demais. Peguei uma caneta que estava do lado do telefone, claro que só porque eu não precisava anotar nenhum número, né, se precisasse não teria achado uma caneta ao lado do telefone. Abri e vi a cara dele. Rapaz, tomei um susto de deixar bamba as pernas, mesmo sentado achei que fosse cair. Olhei para a foto como quem olha para o espelho. O cabra era eu, quer dizer, não era eu, mas era como se fosse eu. Tinha os meus olhos, o meu cabelo, o meu nariz. Como é ela tinha achado um cara que tinha o meu nariz? Justo o meu nariz, que é a coisa mais minha que eu tenho? O fulano, sei lá que nome tinha, tava escrito atrás da foto, mas fiz questão de esquecer, era, como é que se chama isso mesmo, sósia meu. Era grisalho como eu,  usava óculos assim, de armação fininha, como eu. O porte não sei dizer não, mas era macho, tinha uma barriga de cerveja honesta, coisa de homem que é homem. Senti uma raiva que veio subindo do pé, não sabia ainda o que fazer com aquilo. Claro que eu sabia que não era o primeiro amor da vida dela, só nunca jamais em tempo algum poderia imaginar que ela tinha me colocado na vida dela só porque era igualzinho àquele ali. Não era ele que era meu sósia. O sósia era eu. Eu é que era parecido com aquele homem que ela tinha amado antes. Sabe, não vi mais nada. Não quis conversa. Quando ela chegou, entrou no quarto como sempre fazia, e não me viu. Eu entrei no banheiro e fiquei de guarda, esperando ela ver o estrago. Deixei tudo em cima da cama esparramado mesmo, que era para a vadia saber que eu sabia. Ela chamou meu nome, uma, duas, três vezes. A luz do banheiro eu deixei apagada, que era para não me enxergar lá. Encontrou os patuás e badulaques dela, sentou de costas pra mim, e foi revirando tudo, dava para sentir o frio na espinha dela gelando a colcha da cama. A caneta, pois é, a caneta ainda estava na minha mão. É. Foi com a caneta mesmo. Saí do breu do banheiro, e enfiei a caneta no cangote dela. Nem eu sei o que queria com aquilo, nunca pensei que uma caneta fosse capaz de degolar alguém, não, eu sei que não foi, mas jorrou sangue pela cama toda. Não arranquei a cabeça dela, mas ver aquela puta sangrar me aliviou o coração, naquela hora, aliviou. Hoje acordei com saudade dela, sabe. Era uma mulher incrível, não imaginei que ela fosse empacotar daquele jeito, sangrando feito um porco em cima da nossa cama, abraçada à foto daquele paspalho. Pensando bem, mereceu, a peste. Que falta de imaginação trocar de homem e não mudar a fachada. Sósia, faça-me o favor, não. Sósia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-2109260547337227705?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/2109260547337227705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=2109260547337227705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2109260547337227705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/2109260547337227705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2008/11/o-ssia.html' title='O sósia'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-8572467782433037862</id><published>2008-11-18T11:54:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T12:03:11.898-08:00</updated><title type='text'>Bolo inglês</title><content type='html'>Há alguns meses, Juju agitou os insanos a formar um grupo sob o comando de May Parreira, que comanda oficinas literárias. E com Ju, eu, Bruna, Lu Lorens, Dario e Luli como ingredientes, se fez o Bolo Inglês. É divertido ter temas a cada semana para escrever, ficar flertando com gêneros literários, e ir se libertando do lead, do sublead, da notícia, do gancho, essas coisas do jornalismo que amordaçam a mente. Na semana passada, a proposta era fazer uma experiência... Well... surtei em cinco minutos antes de deixar a redação, grudei tudo e saiu isso aí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuncamaisumdoce.Doentesdeglicosenãopodemcomadocuradavida.&lt;br /&gt;Membriagueidechocolatetiveumamortedignadequemnuncafoidelicado.&lt;br /&gt;Morrimprestáveldiantedabomba.Kopenhagen.Umaduastres.Zilhoes.Trilhares.&lt;br /&gt;Voltoamimemtempodemorrerumavezmais.&lt;br /&gt;Maisumamordidaeocomaseinstauraparadelenuncamaisretornar.Delírioscaramelados.&lt;br /&gt;Éssejuntocomdesejosaomuitosenaopodemserealizados.Acaboupramim.&lt;br /&gt;Morriachoquecorrenabeiradoabismoesemfundodemim. Soumeusemrostoedesatoasentirogostodoascondestaorestodoquefuiumdia. Nadamaismeconfundenemsexplica.Morrindoatéondeninguémtemcoragem. Morrinstigadopelacuriosidadedesabercomoseriamarsemfim. E morrendofuitendovertigensenjoosoluçosentidosperdinaminhamorte. Nuncantesoubeondeficavaovaocodaorta.Caíneleporacaso.&lt;br /&gt;E poracasoperdiorumodaspalavrasoltas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-8572467782433037862?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/8572467782433037862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=8572467782433037862' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8572467782433037862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/8572467782433037862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2008/11/bolo-ingls.html' title='Bolo inglês'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-297854592852604290.post-6904255614408966563</id><published>2008-11-18T10:56:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T11:21:38.026-08:00</updated><title type='text'>Eu voltei</title><content type='html'>Matei a lôca do blog, mas continuo melhor por escrito, agora de cara limpa. Quando acordei como um ovo espatifado e fui fritada pela quentura da vida vi que só havia um caminho a seguir. Ser uma só. Uma atua outra sou eu morreu. Cá estou, sobrevivida. Sacudida. Mas não menos enlouquecida, como somos todas, mulheres, mães, atletas, profissionais, donas de casa... e escritoras de scripts nem sempre possíveis. Vou começar tudo de novo. É o início do sétimo setênio, o outono. Minhas folhas vão cair e sobre elas vou reescrever a história, com tintas menos duras e mais doces. Quem quiser que me acompanhe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/297854592852604290-6904255614408966563?l=blogdadb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdadb.blogspot.com/feeds/6904255614408966563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=297854592852604290&amp;postID=6904255614408966563' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/6904255614408966563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/297854592852604290/posts/default/6904255614408966563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdadb.blogspot.com/2008/11/eu-voltei.html' title='Eu voltei'/><author><name>DB</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06044052695852667368</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
