terça-feira, 25 de setembro de 2012

A história de Alber Elbaz na Lanvin agora em livro



Assumir a maison mais antiga do mundo e dar a ela um sopro raro de novidade, fôlego e estilo. A trajetória do estilista Alber Elbaz à frente da Lanvin comprova o talento do artista, que estreou na casa de moda francesa em março de 2002, e a reinventou. Uma década depois, a Lanvin voltou a ser uma das marcas de moda mais cobiçadas no mercado disputado do luxo e do glamour. A jornada criativa do estilista pode ser vista nolivro "Alber Elbaz, Lanvin", que comemora esses dez anos de Elbaz na Lanvin. A publicação  já pode ser encontrada no Brasil, na boutique da grife no Shopping JK Iguatemi. O leitor pode acompanhar o processo de nascimento de uma coleção, desde o primeiro esboço nas páginas em branco do sketchbook até o desfile final. As imagens pretendem desvendar não só desvendam o processo contínuo do design, mas também o lado humano de criar uma coleção. "Cada coleção é sempre diferente, mas o processo de criação é sempre o mesmo", afirma Alber. O livro foi feito em parcereia com Pascal Dangin, que editou o projeto. As imagens do fotógrafo But Sou Lai refletem o trabalho de Alber e dispensam as palavras. À venda por R$ 1.500 (yes, mil e quinhentos reais!) é encadernado à mão com tecido branco de gorgurão de seda e traz o carimbo da Lanvin gravado na capa e lombada, além de páginas douradas - mas não é de ouro, apesar do preço, ok? Veja algumas imagens da publicação. 











segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Listras, pinturas e cores fortes em Dolce&Gabbana


Um verão de cores fortes e imagens de impacto. A Dolce&Gabbana mostrou suas propostas para a temporada neste domingo (23/9), em Milão, provando que a estamparia promete dominar as vitrines da marca, ao lado de inúmeras versões de listras. Veja algumas imagens da apresentação. 







terça-feira, 24 de maio de 2011

Aquelas lições de vida...

Me encaminharam esse texto por email. Eu já tinha lido uma vez, mas sempre gosto de dar uma olhada na lista. #ficaadica

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi. Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto aqui vai a coluna mais uma vez." Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio (segundo a fonte que me mandou o texto)...


1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus, pois Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10 Quanto a chocolate, é inútil resistir.

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20 Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

2. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..

31 Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa morrer jovem.

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.

terça-feira, 22 de junho de 2010

87

Era uma máquina de sumimento. Ela era. Foi desligando a própria vida aos poucos. Primeiro foram os compromissos, datas, nomes. Perdeu as contas de quantas vezes desejou esquecer pessoas, gestos, amores mal resolvidos, comidas mal digeridas, gostos, sabores, palavras e xingamentos. Agora, tudo se desfazia.

Não sabia mais a cor das cores. Nome completo, cep, cpf, nem endereço. Rostos dos quais tinha uma vaga ideia foram aqueles que povoaram sua memória por décadas. Agora, se desintegravam. Era o nariz de um, nos olhos do outro. O cabelo da mais velha, na cabeça da mais nova. Mãos, tato, digitais, nada tinha os mesmos nomes.

Esqueceu de onde veio, mas queria voltar para a fazenda. Não sabia aonde ir, mas não queria ficar. De tudo, só restou o amor pelos gatos e seus guizos. O tlintlin deles a trazia de volta, quando os pensamentos se perdiam. Ela era um labirinto sem retorno. Confusão. Se era dia, se era noite, tanto fazia. Barulhos não mais reconhecia. Nem vozes. Até que se calou. Não havia mais o que dizer.

Não reconhecia mais seu timbre. Sol, si, dó, das notas nenhum registro. Aquele som não fazia sentido. O samba, que lhe fora tão caro, soava tambores distantes e surdos e recorrecos e tamborins sem harmonia. O pandeiro que ele tocava estava mudo há anos. O espelho onde ela se via não se reconhecia. A sala, a mobília, os abajures que ele inventava quando moço eram um museu sem novidades.

Ria de si mesma quando perdia, pela décima vez no dia, a chave da gaveta. Pra que, meu Deus, uma gaveta? Não havia mais o que guardar. Ela esvaziava. E se nutria do óbvio, do essencial. Galinha, ovo, quem veio primeiro, tanto fazia. Nada mais tinha gosto, porque do paladar não se lembrava mais.

E nós? Por onde ficamos nós no seu redemoinho de passados distantes? Nunca lá estivemos. E nós, nomes gravados no cordão que agora leva no pescoço pro caso de se perder, nada mais somos. A ausência, o vazio. E assim a vida se esvai sem ir. Ela não se foi, mas não está mais ali. Nem aqui. Nem acolá. Não cabe mais no mundo, porque desconfia dos mundos que há no mundo. Ingrato, sujo, desvarido, azul, belo, deste, do outro, dos santos, dos bêbados, dos insanos, dos pecadores.

Quantas vezes quis bater em retirada, ameaçava, mas a porta nunca passou. Agora, o retorno é para sempre, presa nela mesma, sem saber quem é nem o que faz ali. Onde foi mesmo que deixei meus óculos? cansava de perguntar, com os óculos presos no pescoço, as lentes para o chão, suspensas no cordãozinho jaz imundo.

Onde estamos todos, seguros no resto de afeto que ela lembra de ter tido, de ter dado, vendido, negociado, fazemos qualqur negócio em troca de um pouco de atenção. Não ensinou a dignidade, que tinha de sobra, mas se recusou a passar adiante. Perferiu fincar a insegurança, sob a qual ela se erguia ainda mais poderosa. Ela era a mulher da casa. Ninguem mais o seria.

Da vaidade, veja só, não se esquece. Se banha e se perfuma, se penteia e se veste, pronta para a festa diária da vida. Rainha de suas vontades, não sabe mais o que quer, nunca soube, mas se sabe fêmea, fêmea antiga, gasta, usada, rodada, quilometrada, mas de cabelo tingido, unha vermelha e batom carmim.

Pouco resta da boca, nada tem a dizer, não lembra da última frase, não pode engatilhar a próxima. Mas sabe, sabe-se lá como, que haverá amanhã. Só não tem certeza do ontem. Olha pra trás e está na boca do abismo. Nada ficou. Os pés sentem a terra deslizar, vai-se toda ser engolida por aquele breu, a escuridão do não saber e do esquecimento. Mas vai sem sofrer. Não vai se lembrar de nada mesmo.

Antes fosse asssim com os porres, com as mancadas, com as broncas que tomamos e que damos, com os vexames, os vômitos, as choradeiras. E com as surras, as ausências, as infelicidades, as indelicadezas. Com as palavras de fel, com as malas que perdemos, com os ódios, com as vinganças. Com as maldades que desejamos, com as crueldades que cometemos. Mas não. Quando a vida se esvai e se apaga somem também o gosto da framboesa, do morango e do mirtilo.

Desaparecem Bach, Tchaikovsky e Tom Jobim. Não há mais Elizete, Lupicínio nem Martinho da Vila, que ele gostava mais do que ela, mas ela dançava junto, rodopiando nos salões, parando as festas, arrancando aplausos.

Vão-se os beijos ternos, os beliscões safados, os olhares de tesão, as passadas de mão e toda sorte de bolinações que fazem nascer o sexo, as crianças e os amores.

É o adeus. É morrer e esquecer de deitar. E esquecer, esquecer, esquecer, até sumir em si.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Carro de som

São Paulo é uma cidade saborosa e gosto de tudo nela, até do trânsito. Verdade. Eu adoro um bom e demorado congestionamento. Parece incrível, mas é ali, encalacrada dentro do carro, que vivo excelentes momentos de solidão. Ficar sozinho é um raro privilégio para quem tem família, criança, trabalho. Aposto que há outras mães, mulheres, atletas, profissionais, donas de casa, como eu, que também gostam de ficar a sós com seus ‘eus’ enquanto esperam a 23 de Maio andar, a Brasil se mover, a Rebouças alargar ou a Radial dar um passinho para a frente. A verdade é que nunca estou apenas eu comigo. Sempre tem alguém em volta. Mas no carro não. Não há um só vulto, uma miragem. A paisagem é deliciosamente sem nada. Fico só com meus pensamentos, minhas vontades, e daí choro quando quero, sorrio raramente e canto. Não sei vocês, mas adoro cantar no carro. E a escolha da trilha sonora se divide com o dial. Alguém um dia me garantiu que quem trabalha com informação precisa sempre ter uma rádio popular sintonizada, que é pra saber o que as pessoas estão ouvindo na ‘vida real’. Fiz isso por um tempo, e conseguia até distinguir quem é o Zezé, quem é o Luciano, o Chitaozinho e o Xororó. Agora não sei mais. Hoje reservo as memórias para as rádios de notícias, as que só tocam música brasileira e a 'nossa' Eldorado (não sei viver sem Alessandra Lopes e o Trilhas e Tons, nem sem o Vozes do Brasil da Patrícia Palumbo e muito menos sem a sala dos professores do Daniel Daiben). O trânsito também me dá mais tempo de ficar com os meus filhos. É que se não estou sozinha, eles estão comigo. Sou, como muitas paulistanas, mãetorista matinal. Leva uma para o balé, o outro para a natação, para o inglês, para a terapia (sim, hoje eles começam cedo a cuidar dos estragos que fazemos neles - e nem adianta chiar, pois a culpa, Freud explica, é sempre da mãe). E é nesse vaivém, nessa convivência cronometrada, que aparece a chance de colaborar com a formação musical das crianças. Às vezes ouvimos CDs, escolhidos (entre tapas e beijos) por um ou por outro. Na maior parte das vezes, o rádio é que fica ligado, apresentando a eles um ecletismo necessário para um ouvido em formação. Foi assim comigo, que de Martinho da Vila a Mozart, ouvia de tudo, e ouço até hoje. Até porcaria eu ouço, pouco importa. Porcarias fazem parte da vida e, se for ruim demais, puft, mudo de estação, desligo o som. Acabou. Delicioso poder exterminar tão facilmente o que ruim. É um exercício curioso ver se formar o gosto musical de um ser humano. E é preciso se resignar diante do inesperado. Por mais que você tente, compre a coleção completa do Palavra Cantada (Paulo Tatit e Sandra Peres são uns gênios), resgate os Saltimbancos de Chico Buarque e os discos infantis do grupo Rumo, ataque de Hélio Ziskind, nada vai adiantar. Um dia, sua garotinha vai recitar todos os 'versos' da Glamurosa, do MC Marcinho. Seu moleque vai gritar no banco de trás um Skank básico, "vou deixar... a vida me levar... para onde ela quiser". Eles vão cantar Ana Julia dos Los Hermanos, por mais que você tente impedir. E vão, aff, pedir para você colocar de novo aquela do 'bundalelê", que obviamente você não tem, mas algum amiguinho gravou num CD e deu de lembrancinha no aniversário. Mas nem todo seu esforço será em vão. À noite, quando sua menina te chamar para ouvir Bach com ela antes de dormir, você verá que a grana investida naquela coleção de clássicos valeu. Foi presente do avô, e você passará a admirar ainda mais o seu pai, que teve essa idéia brilhante. Tudo bem que no dia seguinte ela acorde imitando o gritinho estridente de Hannah Montana, ou se desfaça em agudos para cantar com a galera do High School Musical. Você também já deve ter tido seus dias de Grease... e sobreviveu.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vico e Elvis

Estavamos ouvindo um CD de rock das antigas, e ele perguntou se tinha Elvis. Eu falei que só havia uma música, então fui até a Saraiva e comprei uma dessas coletâneas. Coloquei no carro, na volta da escola. Ele ouviu uma, duas, três músicas. E concluiu:

"Mãe, o ritmo das músicas do Elvis parece sertanejo em inglês, né?"

terça-feira, 14 de julho de 2009

O calçadão (*)

Aquela tosse não era de hoje, nem sei mais quando começou. Nada em mim é recente. Os pigarros. A dor no peito, que não era angústia, mas parecia. Aguda, dilacerante. Vinha cortando as costelas, batia no esôfago para explodir em sons aterradores. Minha neta saía correndo cada vez que eu tinha um ataque daqueles, fugia de mim. Muitos foram os que fugiram de mim. Tive tudo. Empresa, família, dinheiro e ódio. Pude ser sarcástico, pude ser cruel. Humilhar sem remorsos. Rir o riso dos que mandam diante dos que obedecem. Não que eu seja má pessoa. O poder é que dá na boca esse gosto de fel. O diagnóstico de câncer no pulmão era uma revanche da vida contra mim. De todos os que eu botei para correr. E eu agora era obrigado a ver a beleza do mundo com olhos de quem se despede sem ter tido chance de se apresentar. Deve ser um conforto viver assim. Nu. Sem medo. Sem blindagem. Sem amarras. Como aquele cara, lembro bem dele. Exibido em frente ao mar, se erguia nos ferros, suando em bicas e se achando o máximo. Devia ter uns quatro palmos de costas, o sujeito. Bíceps de titã, um abdome espartano e que dentes. A boca inteira pulsava um sorriso típico dos ignorantes, exalava bafo de canela e uma burrice que eu podia ver, pegar no vento. Tive vontade de lhe chutar o rabo. Imundo ele. Mas não. Nada no ordenamento jurídico, na constituição, em porra de lei nenhuma o proíbe de fazer isso. Eu? Por nenhum dinheiro vivo do mundo conseguiria me expor assim, barriga pra fora, pêlos à mostra, pra quem quiser ver. Nem lá, na praia. Nunca fiz isso. O status exige compostura. Sempre tive um nome na praça, uma reputação a zelar. Pergunte aos que conseguem. Aposto a resposta. Sei o que sentem. É paz. Passo reto. É hora da minha água de coco. O médico mandou. Eu preciso fazer bem à minha saúde.


(*) O primeiro texto que fiz na oficina, em 2008. Sorteei algumas palavras e escrevi seguindo a ordem na qual elas caíram sobre o papel. As palavras nos escolhem, é o que dizem. Não duvido.